20130527-102823.jpgNeste domingo faleceu um dos mais influentes empresários do Brasil: Roberto Civita. O blog Busca da Excelência não poderia deixar de prestar sua homenagem a esse homem que ajudou a mudar a história de nosso país.

Roberto Civita nasceu em Milão, no dia 9 de agosto de 1936. Filho de Victor Civita (1907-1990), fundador do Grupo Abril. Deixou a Itália com 2 anos e morou em Nova York até os 12. Passou a adolescência no Brasil até sair novamente para estudar no exterior.

Grupo-Abril-aposta-no-transporte-de-pequenas-mercadorias1-300x150Estudou física nuclear na Rice University, no Texas. Formou-se em jornalismo na Universidade da Pensilvânia e em economia pela Wharton School, da mesma instituição, com pós-graduação em sociologia pela Universidade de Columbia.

Em outubro de 1958, recém-formado e aos 22 anos, começou a trabalhar na Abril. Foi a partir de sua chegada que a editora lançou suas primeiras revistas jornalísticas, a começar pela Quatro Rodas, em 1960. Em seguida vieram Claudia (1961), Realidade (1966), EXAME (1967) e Veja (1968). Hoje, a Editora Abril publica sete das dez revistas mais lidas do país. No total são 52 revistas, disponíveis em plataformas impressas e digitais, que atingem praticamente todos os segmentos de público num universo de quase 30 milhões de leitores.

Uma de suas preocupações, como gestor, foi investir na qualidade de seus colaboradores. “Pessoas competentes escolhem pessoas competentes”, afirmou ao Canal Ideal. “O melhor indicador da qualidade de alguém, é se a pessoa escolhe um profissional melhor do que ela para a sua equipe”, disse. “Quem tem medo de perder o posto para alguém mais competente só atrapalha”, observou.

capa-veja-pedro-collorCivita foi também um defensor incansável da democracia. O momento mais dramático que viveu foi a série de capas publicadas por Veja, que denunciaram o esquema de corrupção montado no governo do então presidente da República Fernando Collor. “Foi dramático, porque a imprensa não queria entrar na história por medo, e só se referiam ao que Veja publicava, sem apurar nada mais”.

“As pessoas que eu conhecia passaram a não me cumprimentar, a não me reconhecer na rua. Virei um pária em São Paulo”, afirmou. Em outra série de depoimentos em vídeo, dados a Veja.com para comemorar as 2.000 edições da revista, Civita contou que foi ameaçado de chantagem pelo então presidente do Banco do Brasil do governo Collor, Lafayete Coutinho.

Por meio de dois jornalistas de Veja, Coutinho mandou um recado claro ao então presidente do Grupo Abril e editor da revista: ou parava com as denúncias, ou Coutinho revelaria fatos da vida de Civita. Comunicado, o empresário respondeu que, se Coutinho tinha algo a publicar, que o fizesse. Ao mesmo tempo, publicou uma capa (O Pistoleiro do Planalto) de Veja denunciando a tentativa de intimidação.

Para nós fica o exemplo de coragem, dedicação e competência que marcaram a trajetória e foram a razão do sucesso de Roberto Civita, alguém que viveu em Busca da Excelência.


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