Dicas financeiras para tempos de crise

A crise financeira e econômica chegou para ficar. Especialistas dizem que ainda não chegamos ao pior momento dela, mas que as coisas ainda devem piorar antes de iniciar uma reação. Os mais otimistas acreditam em recuperação a partir do segundo semestre do ano que vem, outros afirmam que só veremos alguma melhora em 2018.

c62a0d9bc4b1225d1b060a07da712c87Já falamos aqui há algum tempo sobre as três regras básicas para não enfrentar problemas financeiros, você pode reler o post aqui. No entanto, neste cenário sombrio, precisamos tomar alguns cuidados adicionais para que não sejamos prejudicados em demasia pelo momento atual. Neste post quero apresentar algumas sugestões para você se adaptar ao momento econômico e evitar maiores desgastes em sua vida financeira.

1 – Cuidado com o “Eu mereço” – Sim, você é uma pessoa muito especial. Sim, você trabalha muito e, é claro, você merece tudo do bom e do melhor!  Esse pensamento é muito comum em situações de exposição de consumo. Ao se deparar com uma roupa que deseja, um restaurante agradável, um convite para o cinema, você pensa: Eu mereço! Mas, será que seu padrão financeiro permite isso? Você sempre vai merecer o que deseja, mas nem sempre estará apto a possuí-lo. Conscientise-se de que negar a si mesmo determinados itens de consumo não significa se desvalorizar, mas usar o dinheiro de maneira equilibrada e garantir coisas maiores no futuro.

2 – Reduza gastos com assinaturas – Vivemos a era das assinaturas. Além das já conhecidas assinaturas de revistas e generosos pacotes de TV a cabo, existem assinaturas de livros, de vinhos, bolos, frutas, cervejas, cafés e etc. Faça uma análise cuidadosa de cada assinatura que você possui e escolha aquilo que você considera bastante essencial para sua recreação e desenvolvimento. É possível que esteja pagando por algumas coisas que nem use realmente. Que tal trocar seu plano de TV a cabo por uma assinatura de um streaming de filmes, como Netflix, e assistir filmes e seriados de maneira mais barata? Será que aquela sua série favorita não está disponível em canais gratuitos do youtube? Quantas revistas fechadas no plástico estão em sua estante porque você não tem tempo para ler? Não seria melhor cancelar nesse momento e voltar a te-las quando houver tempo disponível?

3 – Reduza gastos arbitrários – Gastos arbitrários são todos aqueles que, embora tenham seu valor, não são essenciais para sua vida. É claro que a vida fica muito chata se gastamos apenas com o essencial, mas em tempos de dificuldade econômica o bom senso em relação ao supérfluo é ainda mais importante. Levar o almoço de casa uma vez por semana para o trabalho, diminuir uma ida ao restaurante por mês, escolher lugares mais baratos, diminuir o cinema e etc. podem representar uma boa economia no orçamento mensal.

4 – Seja mais consciente no uso dos serviços – Reduzir o tempo no chuveiro, acumular roupas para passar de uma vez, ligar a maquina de lavar apenas quando está cheia, apagar a luz nos cômodos da casa onde ninguém está, abrir menos vezes a geladeira e desligar da tomada os aparelhos que não estão sendo utilizados são atitudes que salvam o planeta e também seu bolso.

5 – Aproveite programas de pontuação – Existem diversos programas de fidelidade que oferecem pontos e milhas ao utilizar seus produtos ou cartões de crédito. Uma boa alternativa é a venda das milhas acumuladas pelo cartão de crédito. O valor oferecido a cada 10.000  milhas varia de R$ 250,00 a R$ 300,00. Muitas vezes é mais vantajoso vender as milhas que utiliza-las em viagem. Eu costumo vender minhas milhas no Hotmilhas, eles pagam adiantado.

6 – Compre em sites de desconto – Compras coletivas, sites e aplicativos de descontos são boas opções para se divertir e gastar menos. Frequentemente bons restaurantes oferecem descontos de até 70% em seus pratos. Groupon, Peixe Urbano, Restorando, Grubster, entre outros, são alguns sites e aplicativos com esse serviços.

89b3uetblu_7ut4iu6v6v_file7 – Invista qualquer dinheiro acumulado – Com a inflação subindo constantemente e a alta dos juros, surgiram boas oportunidades de investimento que podem ser aproveitadas. Além disso, dinheiro parado representa perdas constantes. Evite a poupança, que cada vez se torna um investimento pior. Como o momento não é para arriscar, a renda fixa é a melhor opção. CDB’s, LCI’s e LCA’s são produtos que oferecem retorno bastante interessante, especialmente se você procurar bancos médios, como por exemplo Sofisa e Daycoval, que pagam melhores taxas. Tome sempre o cuidado de investir no máximo R$ 250.000,00 em cada instituição, valor garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em caso de problemas com o banco. O tesouro direto também apresenta boas ofertas de títulos com retornos convidativos, vale a pena observar, desde que você não pague nenhuma taxa de administração, o que é possível em alguns bancos.

8 – Busque fontes alternativas de renda – Uma renda extra traz uma grande vantagem na crise. Oferecer algum serviço no tempo de folga, dar aulas uma noite por semana, trabalhar em algum freelance pela internet, vender produtos como Herbalife, Natura, Avon, Jequiti e etc., vender móveis, equipamentos, livros e roupas que não usa mais, entre outras alternativas, podem representar uma soma considerável no final do mês.

9 – Em caso de dívida, procure os empréstimos mais baratos e renegocie pagamentos –  Se a situação ficar ruim mesmo e você entrar em dívida, procure sempre a opção mais barata. Jamais utilize o limite do cheque especial ou pague o mínimo do cartão de crédito, essas são opções com juros absurdos e destruidores, valores exorbitantes que chegam a 130% ao ano. Crédito consignado, CDC (crédito direto ao cliente), refinanciamento de imóveis ou veículos, costumam ser opções menos traumáticas. Para você ter um parâmetro, é possível conseguir taxas em torno de 3% ao mês, menos de um terço do valor médio do juros do cartão de crédito. Atente para o CET (custo efetivo total) que é o valor considerando todos os impostos e acréscimos no empréstimo, como seguro, por exemplo. Na hora de pagar dívidas, procure sempre negociar. Ofereça valores menores à vista, procure diminuir os juros aplicados e os valores corrigidos. Os bancos SEMPRE melhoram a condição para receber, não deixe de insistir, pois isso pode fazer uma diferença bem grande no valor final a ser pago! Caso não se sinta seguro, procure ajuda para calcular os valores corretos a serem pagos e para negociar esses valores.

10 – Trate a questão em família – Todos em casa devem estar conscientes da situação e colaborar com seus ajustes. Acordos familiares facilitam o controle e os cortes de gastos. É muito importante que todos percebam a necessidade de economizar e visualizem as vantagens futuras desse comportamento. Quem não pode ganhar, ajuda a gastar menos e assim todos se comprometem. Guardar os problemas apenas para si aumentará seu fardo e diminuirá o apoio dos familiares.

Finalizando, lembre-se: qualquer extremo é perigoso e nocivo. Assim como esbanjar dinheiro pode comprometer sua vida, um excesso de controle pode te deixar com paranóia. Procure gastar de maneira equilibrada, sempre abaixo dos ganhos e busque alternativas mais baratas de divertimento. Um estilo de vida equilibrado sempre traz felicidade.


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