Você conhece aquela velha historinha: Um consultor encontra um pescador na praia, deitado, descansando após uma pequena pesca, comendo um peixe frito e diz para ele:
  – Por que você está perdendo tempo? Poderia comprar mais um barco, contratar pessoas e aumentar sua pesca!
  – E depois? – Pergunta o pescador
  – Depois você guarda o dinheiro, e compra outro barco!
  – E depois? – Pergunta o pescador
  – Depois você continua aumentando a pesca, cria uma industria de venda de peixes congelados, espalha para o mundo todo e fica milhonário
– E depois? – Pergunta o pescador
– Depois você pode ficar tranquilo deitado na praia, descansando e comendo um peixe frito…
Moral da História – Que consultor capitalista e sem senso, qual o sentido de correr atrás dessas coisas todas para terminar do mesmo jeito. O pescador que estava certo. Certo?  ERRADO!!!!
Sim, está errado. O que essa fábula ignora é que entre um cenário e outro, a pessoa que escolhesse o caminho do consultor teria uma grande história de vida. Quantas pessoas ele teria empregado? Quantos lugares conhecido? Quantas pessoas ele teria ensinado, treinado e mudado a vida delas? Quantos trabalhadores seus poderiam financiar os estudos de seus filhos com o trabalho e fornecer melhores cidadão para a sociedade? Quantas pessoas teriam acesso a um peixe de qualidade que nunca antes haviam conhecido e que ele poderia oferecer por preços mais acessíveis devido a seus processos de produção em escala?
Atualmente, as pessoas querem parar e descansar, antes de CONTRIBUIR. Esse tipo de raciocínio só tem sentido para aqueles que vêem o trabalho apenas com uma fonte de recursos financeiros e não como canal de realização pessoal. Todos viemos a esse mundo para contribuir. Temos uma missão pessoal, algo a acrescentar, talentos e habilidades exclusivos, pessoas que podemos transformar, um legado a deixar! O descanso faz parte e é importante, a recreação é fundamental, mas em conjunto com a paz de quem está deixando sua marca nesse mundo.
Na intenção de corrigir o sentimento do Séc. XVII de trabalho insano e exploratório, a sociedade partiu para outro extremo. Muitos vendem uma falácia de que você precisa trabalhar menos, correr menos, cuidar de você, esquecer os outros. Claro que é importante cuidar de você, e muito importante!  Sem dúvida o trabalho tem limites, é necessário equilíbrio,  mas de maneira geral estamos criando uma geração de pessoas egocêntricas que pensam apenas em seus próprios benefícios e bem estar, pessoas que não estão mais dispostas a pagar o preço do trabalho e do sacrifício para de fato oferecer uma contribuição para humanidade e tornar esse mundo um lugar melhor. Que tipo de mundo teremos daqui 30 anos se as pessoas pensarem que estudar medicina, por exemplo, da muito trabalho e não compensa o retorno? Que empreender é muito arriscado? Que o trabalho duro cansa demais e afasta da minha familia? Que o mais importante é curtir a vida porque ela acaba? Pior ainda, o discurso mesquinho e mediocre que diz: para que estudar mestrado e doutorado se você nem vai ter um salário melhor por isso? Pode até ganhar menos…O que vai acontecer é que a entropia vai tomar conta desse planeta e gerar um ciclo de mediocridade no qual teremos uma sociedade ainda pior que a de hoje, contrariando ciclos anteriores da história.
Pode ser que seu sonho seja viver na beira da praia nas Bahamas sendo servido por todos ao redor. Sem dúvida, muito agradável, mas agradável porque você não faz isso todos os dias. E depois de uma semana? Um mês? 3 meses? A menos que você não tenha a sanidade perfeita, isso vai te cansar e o vazio da falta de contribuição vai trazer o gosto amargo da frustração.
Esse sonho do bônus sem o ônus, da satisfação sem o sacrifício, do trabalho sem dor, tem sido vendido para as novas gerações e corrompido seus ideias. Cada vez tem sido mais difícil encontrar quem queira pagar o preço da excelência, aparentemente desnecessário e alto demais. Mas ninguém que tenha alcançado algo realmente significativo o fez sem pagar esse preço. Não concordo com a frase: “É preciso trabalhar, mas é preciso viver”, porque trabalhar também é viver. Assim com sair com os amigos, viajar, passear, todas são atividades interessantes e saudáveis, mas se tornam muito mais saborosas quando são um complemento do trabalho, quando podemos vivê-las justamente após ter trabalhado, não quero dizer após o fim do trabalho, mas após o trabalho de cada ciclo. Que gosto haveria nas férias se elas não viessem após um período de trabalho?
Quero deixar bem claro que não estou falando de trabalho focado no dinheiro, como se cogitou em outros tempos. Mas um trabalho feliz que gere contribuição e transformação. Que esteja alinhado com meus valores. Que trabalho realização pessoal, que seja significativo para a sociedade, que faça do mundo um lugar melhor de alguma forma. As pessoas precisam querer trabalhar não apenas para enriquecer outros ou a si mesmo, mas por algo que realmente valha a pena.
E você? Qual seu papel na sociedade atual? Está trilhando o caminho do sacrifício, trabalho e contribuição? Está buscando sua autorrealização genuína? Lembre-se de uma coisa: A maioria das pessoas só descobre que trocaram suas vidas por algo que não valia a pena quando já era tarde demais para corrigir a rota. Reflita hoje em quem você é, em quem pretende se tornar e pense que legado irá deixar nesse mundo quando sua hora chegar! A felicidade não está apenas no conforto, mas no quanto você pode oferecer de contribuição para quem esteve ao seu redor!! Esse será o seu legado.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *